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Museu Casa Benjamin Constant

Benjamin Constant

Benjamin Constant, aos cerca de 30 anos de idade
Benjamin Constant, aos cerca de 30 anos de idade

Benjamin Constant nasceu em Niterói, no dia 9 de fevereiro de 1837. A experiência de vida de Benjamin Constant foi moldada em um governo imperial, do qual ele passaria a discordar pelo princípio republicano advindo de sua crença no Positivismo: doutrina filosófica e política antiescravista e antimonarquista que acreditava na “marcha progressiva do espírito humano”, criada por Auguste Comte. Seu pai, Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães, português de Torre de Moncorvo, era militar. Transferiu-se para o Brasil em 1822 e combateu, naquele mesmo ano, a favor da Independência. Em 1835, casou-se com Bernardina Joaquina e dois anos depois nasceu o primeiro filho, Benjamin, o mais velho entre cinco irmãos. A escolha do nome do primogênito revela que o pai era um homem letrado: foi uma homenagem ao político e pensador liberal francês, Benjamin Constant de Rebeque, falecido sete anos antes do nascimento do niteroiense.

Em 15 de outubro de 1849, Leopoldo Henrique morreu de febre tifoide. Benjamin tinha doze anos quando o pai faleceu. A mãe, com a morte do marido, sofreu grave desequilíbrio emocional, do qual nunca se recuperaria. Enlouquecia gradativamente. Desesperado com a situação, três dias após a morte do pai, Benjamin Constant tentou suicidar-se, jogando-se nas águas do rio que cruzava a fazenda da casa em que moravam em Minas Gerais. Foi salvo por uma escrava que lavava roupas no local. Agradecido e recomposto da loucura que tentara, passou a considerar a data de 18 de outubro como a do seu nascimento, causando uma imensa confusão de inúmeros conhecidos e biógrafos.

No ano seguinte à morte do pai, a família resolveu mudar-se para a Corte. Benjamin terminou seus estudos no colégio do Mosteiro de São Bento. Ainda aos quinze anos, tornou-se cadete de segunda classe, assumindo a direção da família e iniciando seus estudos na Escola Militar. Esse era o caminho percorrido, na época, pelos filhos de famílias pobres que desejavam educação de terceiro grau: a Escola Militar. Além dos estudos serem gratuitos, os alunos recebiam soldo se trabalhassem como praça.

Em 1862 conheceu Maria Joaquina Bittencourt Costa, filha do diretor do Instituto de Meninos Cegos que funcionava no Campo de Santana. Casaram-se em 16 de abril de 1863. Benjamin Constant trabalhou nesse instituto por vinte anos e chegou ao cargo de diretor, substituindo seu sogro. Um decreto republicano de 24 de janeiro de 1891 deu à instituição o nome de Instituto Benjamin Constant, pelo qual ainda hoje é conhecido, em homenagem a seu mais longo e profícuo administrador. Atualmente, muitas pessoas imaginam que Benjamin era cego ou tivesse um parente cego, o que não é verdade. A homenagem se deveu ao seu trabalho na instituição e a sua preocupação em dar educação e cidadania a pessoas com deficiência.

Benjamin Constant teve oito filhos com Maria Joaquina; cinco meninas e três meninos, dois  deles  falecidos  nos  primeiros  anos de vida. Leopoldo Henrique, nome do avô português, e Cláudio, com menos de três anos, ambos por febre amarela. Mas Benjamin Constant Filho, nascido em 1871 – mesmo ano da morte do pequeno Leopoldo – teve melhor sorte, pois viveu até os trinta anos de idade, morrendo em 1901, dez anos após o falecimento do pai. As filhas, Aldina, Adozina, Alcida, Bernardina e Araci viveram mais e deram-lhe muitos netos.

Benjamin Constant em 1874

Uma experiência marcante para sua vida pessoal e para sua carreira de militar foi a participação como engenheiro na Guerra do Paraguai. Quando convocado, em 1866, já estava casado e possuía patente de tenente-coronel. Não foi ferido em batalha, mas precisou voltar ao Rio de Janeiro no ano seguinte com licença médica: havia contraído malária no Paraguai.

As complicações dessa doença seriam a causa de sua morte, em 1891, aos cinqüenta e quatro anos. Faleceu em janeiro de 1891, na chácara charmosa de Santa Teresa, que havia alugado em 1889, pouco depois da Proclamação. Como vimos, hoje a casa foi transformada em um museu para preservar sua memória.

Ter falecido em data tão próxima à mudança de regime e ter sido grande referência teórica positivista e republicana a muitos dos redatores da Constituição, garantiu-lhe a memória eterna. Onde há poder, há um exercício de construção de memória; é isso que transforma homens em heróis nacionais; é isso que transforma casas em “museus-casa”; é isso que fez de um professor carismático e positivista o “fundador da República”.